A EXPOSIÇÃOBLOCO 7

Coleção “Brasília” - Acervo Domício e Izolete Pereira

Conjunto composto por gravuras, desenhos, estudos, pinturas, maquetes, esculturas, tapeçarias, além de flâmulas, moedas, selos, fotografias, cartões, objetos decorativos, condecorações e livros raros que percorrem e abrangem um período de mais de cinco décadas da cultura brasileira, com foco e inspiração específicos na utopia de construção de uma nova nação brasileira, simbolizada a partir de Brasília.

Destacam-se obras únicas e históricas de renomados artistas brasileiros e de outras nacionalidades. Entre eles, Lúcio Costa, arquiteto e urbanista, autor do projeto do Plano Piloto de Brasília, com um conjunto de seis pranchas serigráficas da cidade, que oscilam entre a figuração e a abstração formal; Marianne Peretti, autora dos vitrais da Catedral Metropolitana de Brasília, com um estudo para painel, a óleo, sobre cartão, de natureza figurativo-abstracionista; e Pierre Verger, com uma de suas quatro fotografias conhecidas da Capital.

Já o austríaco Franz Wiessmann desponta com a escultura Abstração II, do mesmo período da obra Três Pontos (projeto de Monumento à Democracia), localizada à frente do Museu de Arte de Brasília (presente na mostra com o cartaz de sua inauguração em 1987); e o português Joaquim Tenreiro, mestre da madeira, com o relevo de parede “projeto de painel para o Palácio Itamaraty”, em Brasília.

Entre os brasileiros que integram o núcleo histórico da cidade (até meados dos anos 70), marcam presença Oscar Niemeyer, com obras que registram a Praça dos Três Poderes, Palácio do Planalto e Memorial JK; Rubem Valentim, com um conjunto de moedas afro-brasileiras e uma edição da Casa da Moeda do Brasil; Yutaka Toyota, com uma abstração geométrica dos anos 70; Maria Martins, ex-embaixatriz do Brasil na França, com raríssima maquete para a obra Rito dos Ritmos, primeira escultura pública da Capital executada a convite de Niemeyer e instalada nos jardins internos do Palácio da Alvorada; Alfredo Ceschiatti, com as obras Pomba, homenagem a Niemeyer, pequena obra-prima que sintetiza um repertório barroco à estética modernista, numa especial homenagem ao mestre, e Cristo, que, despojado da sua cruz, já sublimou o seu calvário, sendo inicialmente idealizado para a Catedral de Brasília.

Veremos também nesse significativo Bloco 7 a Bruno Giorgi, com os primeiros estudos para a escultura Os Guerreiros, marco da ocupação artística da Capital; Catavento, abstração em bronze polido; Flautista, dos anos 50; e Cabeça, obra com influência de sua fase em Paris; Athos Bulcão, com projeto para azulejos, e Samambaias; e José Pedrosa, autor da Erma de JK, do museu da Cidade, com o desenho a carvão Duas Irmãs.

Entre os artistas ligados às questões ambientais, na ilustração botânica pontua sua mais importante representante, a Baronesa Maria Werneck de Castro, com a rara aquarela Canela-da-Ema, espécie típica do Cerrado brasileiro; José Zanine Caldas, arquiteto autodidata, detentor do título Doutor Honoris Causa outorgado pela Sorbonne e cuja obra foi alvo, em 1989, de uma mostra referencial no Museu de Artes Decorativas do Louvre, Paris, com dez maquetes de móveis e quatro relevos aéreos de parede, e Roberto Burle Marx, com duas pinturas sobre cartão do período em que projetou o Parque da Cidade de Brasília.