BRASÍLIA

CONTEXTO HISTÓRICO

Ainda que o extenso conteúdo desta exposição permita um aprofundamento sobre a história de Brasília, oferecemos aqui um breve resumo para facilitar a visão geral de sua trajetória, desde o surgimento da ideia de construí-la, em meados do século XVIII, até o momento em que esse grande sonho se concreti-zou.

Na época colonial, em torno de 1700, já se discutia, na Corte portuguesa, a possibilidade de mudança da capital da Colônia brasileira. A intenção era contornar sérios problemas, como os constantes ataques de piratas e de outros países europeus que intencionavam ocupar parte do nosso território, a facilidade de contrabando e o clima da costa, que favorecia o surgimento de epidemias. Outra razão não menos importante era a percepção de que a população se agru-pava no litoral “como se estivesse sempre olhando nostalgicamente o continente europeu”, quando se fazia necessário, por razões políticas, ocupar territórios propiciados pelo Tratado de Tordesilhas e encontrar riquezas minerais, especialmente ouro.

No final do século XVIII, , em 1789, o movimento em prol da Independência do Brasil conhecido como In-confidência Mineira, insatisfeito com a Coroa e lide-rado pelo mais tarde reconhecido herói nacional Joa-quim José da Silva Xavier, o Tiradentes, incluiu, entre seus objetivos, a mudança da capital do Rio de Jane-iro para São João del Rey (Minas Gerais), no sudeste do país. Outros intelectuais e ativistas políticos advo-gavam a mesma ideia em distintas tribunas.

A Independência do Brasil chega em 1822. O jovem príncipe herdeiro, Dom Pedro I, filho do Regente Dom João VI, que retornara a Portugal, proclama a Indepen-dência aconselhado pelo Ministro José Bonifácio de Andrada e Silva, após jurar que atuaria como príncipe constitucional. O notável Andrada , que desenvolveu um papel importante na redação da primeira Constituição, faz uma contundente defesa da construção de uma nova capital com o fim de estimular a economia e o comércio do País. Sugere os nomes “Petrópolis” ou “Brasília”.

A criação de Brasília também contou com um elemento místico: em 1883, Dom Bosco, fundador da Ordem dos Salesianos, tem um sonho em que prevê o nascimento de uma rica e próspera civilização entre os paralelos 15° e 20°, exatamente onde Brasília está hoje.

Mas somente com a Constituição republicana de 1891 é dado o primeiro passo concreto e consis-tente para essa mudança, com a criação de uma comissão encarregada de estudar e demarcar o local em que se ergueria essa nova capital. A co-missão, encabeçada pelo astrônomo e engenheiro belga Luiz Cruls, diretor do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro, era composta por 22 experts em topografia, fontes de energia, clima, geologia, fauna, flora etc. Os trabalhos começam em junho de 1892 e são concluídos em junho de 1893.

A chamada “Missão Cruls” faz o primeiro e valioso documento técnico sobre o Planalto Central de Goi-ás (atual Estado dentro do qual se encontra Brasí-lia), contendo um mapa em que aparece desenhado um quadrilátero com a inscrição “Futuro Distrito Federal”. É o famoso documento chamado de “Quadri-látero Cruls”. Em 1922, nas comemora-ções do cen-tenário da Independência, o Congresso Nacional brasilia-oscaraprova definitivamente a criação da nova capi-tal federal. Exatamente nesse “quadrilá-tero”, em se-tembro daquele mesmo ano, é coloca-da a primei-ra pedra da construção (a pedra funda-mental), a poucos quilômetros de onde seria levan-tada finalmente a cidade.

A Revolução de 30 e a ditadura varguista após 1937 até a redemocratização em 1946, provoca uma pau-sa e o projeto é mais uma vez postergado. A partir de 1947, surgem várias comissões encabeçadas por militares (Marechal Polli Coelho, General Caiado de Castro, Marechal Cavalcanti de Albuquerque), que enviam outras missões a outros lugares, elaboram novos documentos, ampliam os perímetros e apre-sentam estudos de fotoanálises e foto-interpreta-ções a uma empresa norteamericana para selecio-nar o sítio mais adequado. O último informe desse período intitula-se “Nova Metrópole do Brasil”.